quarta-feira, 19 de novembro de 2008

O importante é humilhar

Querido Carteiro,
Meu nome é Michelle e tenho 32 anos. Mas, nos últimos anos, muita coisa mudou na minha vida.
Desde que vi uma foto da Iris Kyle, de quando ela ganhou o Ms. Olympia 2006, fiquei obcecada com aquele corpo. Eu olhava aquela foto, pela internet, e precisava ter aqueles músculos brilhantes, enormes e definidos, aquele brilho no olhar, aquela confiança.
Mesmo sabendo que uma loirinha como eu, com direito a pele branquinha e pezinhos cor-de-rosa, nunca teria a genética e a força daquela negra escultural. A mulher é uma estátua de ébano talhada por um artesão talentoso.
Aliás, eu disse loirinha, mas não sou tão pequena assim. Como malho desde os 20, tenho um corpo que não só é sarado, como tem músculos salientes. Minhas coxas destacam-se do restante por formarem uma espécie de "gota" na parte da frente, mas nada que possa ser comparado a uma atleta de fitness, por exemplo. Mas o suficiente para já me causar problemas na hora do sexo. Posso contar nos dedos os caras que não gozaram em segundos quando comecei a cavalgá-los enquanto eles percorriam minhas coxas com as mãos. E um chegou ao absurdo de gozar enquanto a gente só tirava uns sarros!
Mas eu não pensava nos problemas. Só naquele corpo.
Conversei com um instrutor, também fisiculturista, e ele montou uma rotina de treinos para mim. Ao invés de ficar assustado, ele achou o máximo!
Um ano depois, eu tinha passado de 51kg para 65kg de puro músculo. Eu morria de orgulho dos meus bíceps, reedondinhos como uma bola de tênis e com um corte que parecia feito à mão. Uma vez, me peguei beijando um deles na frente do espelho. Me senti tão boba, mas ao mesmo tempo era tão bom. Meus seios diminuíram, mas deram lugar a um peitoral que mais parecia uma formação rochosa, pelos cortes e pela dureza. O abdome carregava seis gominhos de músculos que eu podia controlar a meu bel prazer. Nunca tive um bumbum grande, mas agora ele estava redondinho. Para valorizar, eu usava saias muito coladas e super curtas. Porque quanto mais curtas, mais minhas pernas apareciam. E elas estavam beeeem aparecidas. Por onde eu passava, as pessoas viravam o pescoço para admirar um par de coxas grossas feito troncos de árvores, com veias por onde pareciam correr a seiva mais poderosa desse mundo. Uma gota definida saltava, enquanto a parte de trás parecia um bíceps fora de lugar, de tão grande e saltada. As panturrilhas, quase sempre ressaltadas por salto alto, tinha o que os americanos chamam de forma de diamante. Realmente, eu lapidei as duas com carinho, a ponto de elas parecerem esculpidas num material que não era desse planeta. As pernas continuavam terminando em lindos pezinhos cor-de-rosa.
Uma vez, alguns garotos deixaram uma bola cair perto de mim, no parque. Um deles disse: Chuta, tia. Eu fiquei tão nervosa com aquele tia que chutei, com toda a minha força. A bola bateu numa árvore, que balançou muito antes de deixar cair algumas frutas. Apesar do espanto geral, ninguém achou ruim comer um pouco de frutas recém-caídas no pé. Um rapaz se sentiu até no direito de puxar conversapor causa do acontecido. Coitado. Mais um que gozou ao colocar as mãos nelas.
No entanto, o campeonato estadual se aproximava e eu só pensava numa coisa: eu podia ganhar de qualquer um, mas ganhar não bastava. Eu tinha que ter o corpo da Iris. Eu tinha que humilhar os adversários. Masculinos, inclusive. É aí que entra o Dr. Ricardo, pesquisador da universidade da minha cidade. Mas isso é uma história para outra carta.
Beijos,
Michelle.

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